terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Catatau




Paulo Leminski, poeta curitibano, dedicou boa parte da sua vida - entre os 24 e 31 anos de idade - na criação daquilo que ele definiu como a única idéia de sua vida: "uma vida é curta para mais de uma idéia", disse ele. No seu caso, esta idéia se materializou no livro Catatau como um conto(?) de 213 páginas ininterruptas onde um texto, que beira a alucinação, flui de modo contínuo aliado a um projeto gráfico também curioso:na capa, sob o título em vermelho, cenas de luta registradas por um escravo anônimo, na sala de uma tumba no Egito, 2000 a.C. Atrás do livro, o nome do autor, sobre o registro de uma dupla sepultura de homo sapiens do tipo negróide. Ligando as duas capas – imaginadas por Leminski, executadas por Miran – uma lombada branca e em branco. O volume ainda apresenta outras duas imagens, nas últimas páginas: um famoso retrato de René Descartes e uma "foto" assim legendada: "Vrijburg, a Recife dos holandeses (séc. XVII)".
Poema? Prosa poética? Romance? Nada disso. O que Leminski buscava era a "fusão destas coisas todas, ou, na melhor das hipóteses, uma superação dessas categorias como poesia e prosa".
Quase quinze anos após o lançamento, quando organizou a segunda edição do Catatau, Leminski deu a dica para aqueles que insistissem em classificar a obra, colocando sob o título, a advertência um romance-idéia. É por estas e outras que o livro carrega tarjas como "incompreensível", "ilegível", etc. Sentenças injustas, mas que parecem elogios calorosos, dependendo de onde vêm: a crítica literária sempre pira com a leitura da obra.
Saiu recentemente uma nova edição do livro que, aconselho, deve ser lido e curtido por todos que quiserem ter uma experiência literária além das fórmulas e narrativas de praxe. Leminski conseguiu fazer uma obra referência na literatura brasileira.

3 comentários:

  1. Seu blog é muito bom Afonso! SOu frequentador assíduo a partir de hoje!

    ResponderExcluir
  2. Uau!! Seu blog é maravilhoso, deliciosamente consistente. Adoro Paulo Leminski. Ele foi um cara brilhante. Agora sou seu seguidor.

    ResponderExcluir
  3. Oi amigos escritores: o blog é de vocês.

    ResponderExcluir