quarta-feira, 28 de julho de 2010

Eu e Frazetta






Não, amigos, não conhecí e nem fui amigo de Frank Frazetta, infelizmente, mas ele foi um dos primeiros artistas fora do circuito da arte clássica que me fascinou e que me fez juntar grana para comprar um livro seu. E nunca me arrependí. Crescí profissionalmente vendo as maravilhosas ilustrações dele em toda parte em especial nas HQ do Conan e quiz ser Frazetta um dia.
Mas como Frazetta só tem um, virei fã incondicional e deixo aqui dois posts sobre ele. As fotos acima já mostram seu trabalho como ilustrador e postei também uma foto dele, coisa difícil de se ver. Pois é, este cara meio James Dean é o mestre no auge da sua juventude. Enjoy it!!!

FRANK FRAZETTA






Frank Frazetta era um descendente e italianos morando no Brooklyn, NY,que, além de ser um boa pinta que se importava com seu corpo cuidando dele em academias de musculação,era bom desenhista e esportista. No esporte chegou a ser chamado para atuar no New York Giants. No desenho, estreou em 1944, aos 16 anos, ilustrando quadrinhos, carreira que acabou predominando na sua vida profissional. Foi, por nove anos, assistente de Al Capp em Ferdinando; publicou na EC Comics, editora dos melhores quadrinhos adultos do período; trabalhou com Harvey Kurtzman no clássico erótico da Playboy, Little Annie Fanny; desenhou de faroestes a Buck Rogers.

Mas foi na ilustração que deixou sua maior marca, desenhando pôsters de cinema, entre 1965 e 1983, que divulgaram seu talento mundo afora através de filmes como O que é que há, Gatinha, A Festa do Monstro Maluco e Mad Max. Mas mais importantes ainda foram suas capas de livro, que começou a fazer a partir de 1966,ilustrando as capas da série Conan - e simplesmente reinventou a estética da literatura fantástica, disparando uma nova onda de interesse por fantasia e ficção científica e influenciando milhares de ilustradores pelo mundo afora.

Sem Frazetta não existiria a série em quadrinhos de Conan, muito menos os filmes. Suas capas para Tarzan fizeram o homem-macaco popular de novo; as ilustrações para a série John Carter of Mars, de Edgar Rice Burroughs, conectaram fantasia espacial com a nova geração dos 60 - do rock, das drogas, da contracultura.

Com isto, Frazetta fez a cabeça de pelo menos duas gerações. Uma cresceu e o chamou para trabalhar, como Steven Spielberg, Francis Ford Coppola e George Lucas, para quem ele criou arte conceitual. Mas seu impacto no rock foi tão grande quanto nos quadrinhos: a partir dos 70, muitas bandas passaram a usar temas de fantasia em suas letras e ilustrações fantásticas nas capas, e ninguém foi mais responsável que Frank Frazetta. De Molly Hatchet e Nazareth a Wolfmother, muitas bandas usaram sua arte na capa. Muitas outras chamariam ilustradores influenciados por Frazetta (Boris Vallejo, por exemplo).
Existe um documentário sobre o artista chamado Frazetta: Painting With Fire,que o mostra revisitando o velho bairro onde morou e encontrando amigos das antigas, fazendo uma tour de seu pequeno museu particular, e, curioso,não explicando porque fazia o que fazia. No filme,John Buscema, Dave Stevens, Al Williamson e Simon Bisley são alguns criadores que prestam homenagem ao mestre. A coisa mais chocante do filme: a revelação de que Frazetta jamais utilizou referências ou fotografias para suas ilustrações: veio tudo de sua imaginação. Monstros intergaláticos, feras pré-históricas, atmosferas delirantes, planetas exóticos, donzelas gostosonas e heróis bombados são filhos legítimos deste bamba da ilustração.

terça-feira, 27 de julho de 2010

The Suburbs



Como sou chegado numa cultura suburbana (ou sub-urbana...) fiquei atento ao novo disco do Arcade Fire, lançado recentemente pela banda canadense e que bomba no mundo indie: The Suburbs. Bem, o grupo já está na fita a muito tempo e me lembro da passagem deles pelo Brasil em 2007 que foi arrasadora. Este disco foi rotulado pela crítica como o "OK Computer" deles, mas, segundo o crítico da BBC (atenção!), é melhor que isso... Cara, não é pouco! Se os dois discos anteriores Funeral (2004) e Neon Bible (2007) já eram pura música inteligente, imagino só o que vem por aí. E o que vem é alta performance musical associada a letras líricas que falam da falta e perspectiva dos jovens das classes suburbanas. É, na verdade, uma triste crônica da juventude moderna, imersa no vazio que a sociedade consumista não consegue preencher. Desilusion, baby!!!
A turnê do Arcade Fire já se iniciará e - rezemos, irmãos!!! - pode passar novamente por aqui.
Ah, detalhe, para dar uma incentivada nas vendas no formato CD, o álbum sairá com 8 opções diferentes de capas, cada uma criada por um designer fã da banda.

Roofers: deu no New York Times


Pois é, dando um rolê nas edições dos grandes jornais do mundo (viva a net!!!) dei de cara com esta novidade aí: os "roofers". Esta é a denominação de uma das mais recentes formações de tribos urbanas. Eles são tão recentes e tão localizados que são taxados de "subcultura", já que existem (por enquanto) só em Moscou.
A cidade capital da Rússia ficou por décadas com a altura de seus edifícios restrita pelo regime comunista daí existirem poucos prédios altos no seu skyline. A onda dos roofers é dar um jeito de entrar nestes prédios, burlando sistemas de segurança, e irem até o teto para ...para...apreciar a cidade. Lá no topo passam os dias em silêncio, contemplando a vista, buscando algum tipo de paz perdida em meio ao caos dos mais de 10 milhões de habitantes da capital vermelha.
Os roofers são invasores. Para entrar nos edifícios, testam combinações prováveis tentando quebrar as senhas das fechaduras eletrônicas predominantes. Em último caso, tocam em apartamentos aleatórios dizendo-se entregadores de qualquer coisa ou vizinhos descuidados que esqueceram a senha ou a chave. De posse destes dados, não só entram e ficam lá em cima, como depois repassam os dados para outros roofers amigos. Como não dá para ter uma gangue com mais de 3 pessoas, a multiplicação dos grupos é enorme.Bem, tão enorme que existem grupos que fazem disto um negócio e cobram por este isolamento artístico/espiritual entre 13 e 80 dólares, dependendo do status do imóvel invadido e a vista, é claro.
Os roofers de Moscou fazem parte de uma minoria em extinção: a das pessoas que só querem ficar quietas no seu canto. E se incomodam quando são confundidos com vândalos ou arrombadores pois não querem confusão, fama ou defender grandes ideais: eles sabem que só podem salvar o mundo deles mesmos e que isso exige dedicação extrema.
A coisa também é bem anônima, e de tão anônima e de tão nova acabou que não achei nem uma foto deles para postar aqui, então fica uma vista moscovita para ilustrar a matéria.
Se a moda pega, uma São Paulo pode se transformar num big business...

BALÉ TRIÁDICO






O artista plástico Oskar Schlemmer criou, em 1927, os figurinos para o initulado Balé Triádico, com isto produziu um dos primeiros espetáculos de dança totalmente abstratos da história, influênciado pelos teatros de marionetes da comédia del'arte. Os figurinos, peculiares, com um design aos moldes da estética do Bauhaus, não serviam apenas como elemento onírico, mas como modificador das sensações normais (como a visão, audição e senso de equilíbrio) e como redutor da liberdade de movimentos dos dançarinos. Deixo algumas imagens estáticas de algumas das criações do artista e o link do YouTube para quem quiser ver isto mexendo.
http://www.youtube.com/watch?v=xMDtwC76HjA&feature=player_embedded

LINGUAGENS ELETRÔNICAS






Instalações de arte eletrônica no Sesi-SP, Masp, Fnac e Instituto Cervantes e games nas estações de metrô da avenida Paulista compõem a 11ª edição do FILE - Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, que começa hoje na cidade de São Paulo.
O evento é, na verdade, uma série de festivais dentro de um grande festival, durante 34 dias. Há o Documenta, reservado a documentários sobre cultura eletrônica; Maquinema, com um jogo virtual; Games; e Hipersônica, com trabalhos de arte eletrônica inspirados pela música. Também compõem o evento instalações interativas e workshops.
Uma novidade na edição 2010 é o File Prix Lux, prêmio internacional destinado a profissionais na área das linguagens eletrônicas e digitais. Foram inscritos 1.235 trabalhos (90 deles indicados para concorrer em três categorias) de 44 países.
Uma das novidades é um ônibus, denominado Omnibusonia, circulará de hora em hora na avenida Paulista contendo uma base sonora contínua, que vai "dialogar" com as inserções arquitetônicas do percurso.
Caso você vá, não perca as instalações Infinito ao Cubo e Piso, dos artistas Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti, que está no vão do MASP. A primeira obra já rodou outros lugares do mundo e é um cubo de espelhos onde o entorno se reflete em múltiplas imagens, como um caleidoscópio urbano; a outra obra é um piso que se transforma ao ser pisado.
Outra proposta muito legal é a Sniff, da artista Carolina Sobecka, que é a imagem de um cão projetada numa vitrine que interage com os passantes.
Esta edição mostra como cresceu o evento que antes se limitava ao espaço do SESI e agora já tomou a rua da principal avenida da cidade.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A Rainha da Sessão da Tarde


Às vezes as férias se transformam numa prova de resistência ao tédio absoluto, fazendo com que este período de descanso nos afaste das atividades chatas do dia-a-dia, ou até mesmo das prazeirosas, devido ao fato de ser um afastamento geral da rotina, seja lá qual for. Aí bate um bode que nem um bom livro resolve e o que queremos mesmo é uma atividade que não exija absolutamente NADA da gente e promova a passividade geral. Por causa disto, os filmes da sessão da tarde viram uma opção inigualável, especialmente para quem mora em cidadezinhas do interior (mas não só...)onde o sofá da sala, os amigos e comida junkie é tudo que sobra. É esta a hora das TVs exibirem os clássicos do horário: filmes com bichinhos falantes, de férias na praia, de ratinhos espertos e por aí vai. Mas, por um lapso ou perversão, às vezes aparece um ou outro filme de Elvira, a Rainha das Trevas, que certamente não é adequado à uma sessão vespertina, mas que já se tornou um destes clássicos. E, diga-se de passagem, ela é ótima. Com seu look S&M, Elvira detona a caretice com seu comportamento fora do padrão (leia-se: sensualíssima)e com atrapalhadas que só mesmo uma portadora do Tico-e-Teco no lugar do cérebro é capaz de fazer. E dá-lhe diversão...